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Ciência aparece em 11 propostas de governo dos 12 presidenciáveis, mas sem detalhamento orçamentário, aponta SBPC

Instituto Sua Ciência | 28/09/2026

Com base nos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) analisou a presença e a importância da Ciência nas propostas dos candidatos à Presidência da República. O levantamento aponta que a Ciência está presente em 11 dos 12 planos analisados, mas que as propostas, de modo geral, não apresentam detalhamento dos recursos destinados ao setor.

A análise identificou propostas relacionadas à inteligência artificial, financiamento de pesquisas, biotecnologia, energia, saúde, defesa, universidades, educação básica, ensino técnico e profissionalizante, agronegócio, combate ao negacionismo científico, minerais críticos, cibersegurança e políticas de acesso, assistência e permanência estudantil.

Clariana Barão (DC): menciona a importância da Ciência, principalmente associada à Educação, como instrumento para estimular o pensamento crítico e a resolução de problemas. Propõe indicadores para medir conectividade escolar, competências digitais, desempenho em Ciências e participação em programas, mas não detalha a estruturação das políticas científicas.

Edmilson Costa (PCB): propõe a utilização da renda do petróleo por meio de um fundo da Petrobras para financiar pesquisas. Também defende o uso do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para o desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), a integração das políticas científicas às ambientais e industriais para enfrentar a emergência climática, investimentos em semicondutores e a criação de big techs públicas e nacionais.

Escritor Augusto Cury (Avante): defende a ampliação dos investimentos em Ciência e Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), com foco em áreas estratégicas como biotecnologia, energia, saúde, defesa e inteligência artificial. Propõe uma Estratégia Nacional de IA e o fortalecimento das universidades como centros de inovação, com estímulo a startups, laboratórios avançados e centros de pesquisa aplicada. Na Educação, prevê uma rede nacional de 10 mil escolas de empreendedorismo, além da expansão do ensino técnico e profissionalizante.

Flávio Bolsonaro (PL): propõe que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) passe a gerir o ensino superior, atualmente sob responsabilidade do Ministério da Educação (MEC). Também defende que Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) priorizem projetos com impacto produtivo, inovação e transferência de tecnologia. Entre as propostas estão ainda uma Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, com aplicações prioritárias na indústria, no agronegócio, na saúde e na logística, além do fortalecimento de parques tecnológicos, incubadoras e startups de base tecnológica. Também deseja ampliar escolas cívico-militares no país.

Hertz Dias (PSTU): não utiliza a palavra “Ciência” em seu plano de governo, mas apresenta propostas de estímulo à pesquisa. O financiamento seria realizado por meio de fundos públicos de investimento produtivo abastecidos pelos excedentes de empresas expropriadas, com articulação entre universidades públicas e institutos de pesquisa.

Lula (PT): defende a continuidade da expansão das políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação, o combate ao negacionismo científico e a integração entre Ciência e Saúde, especialmente para a promoção de vacinas e políticas de cuidado. Na Educação, propõe a construção de 111 IFs (Institutos Federais), abertura de campus quilombos dos IFs, e um novo ciclo de expansão e interiorização da educação superior pública. Na área de inovação, estabelece como focos a inteligência artificial, os minerais críticos e outros ativos estratégicos. Também afirma que pretende manter os recursos do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) sem contingenciamento.

Renan Santos (Missão): propõe a realocação de recursos do ensino superior para áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), além do fim do sistema de cotas e da criação de bolsas por mérito. Também defende a expansão das escolas cívico-militares, a criação de faculdades com cursos voltados ao desenvolvimento industrial e a fusão dos Ministérios da Educação e da Cultura.

Ronaldo Caiado (PSD): apresenta a Ciência como base para o desenvolvimento, a produtividade e a soberania nacional. Propõe assegurar a continuidade dos recursos do FNDCT sem contingenciamento, com governança transparente, avaliação por resultados e estímulo a fundos patrimoniais. Também defende investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento, atualização da Lei do Bem, um Marco Legal para a Inteligência Artificial e uma política nacional de cibersegurança.

Rui Costa Pimenta (PCO): não menciona “Ciência” ou “pesquisa” em seu plano de governo nem apresenta políticas científicas diretamente. Na área de ensino superior, defende o fim do vestibular e o livre ingresso nas instituições, além de eleições internas para a escolha de reitores e diretores.

Samara (UP): defende o aumento dos recursos destinados à Ciência e à Educação e aponta que o orçamento público de 2026 para as universidades federais e para Ciência, Tecnologia e Inovação corresponde a 53% do orçamento destinado ao setor em 2014. Propõe mecanismos de maior participação e controle popular sobre a agenda de pesquisa e seus resultados, além da universalização da educação, com políticas de acesso, assistência e permanência estudantil. Também defende a ampliação das políticas de financiamento para CT&I, com a juventude como centro dessas ações.

Veterinário Wilson Grassi (Democrata): tem como principal proposta para Ciência, Tecnologia e Inovação a criação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Pesquisa. A medida prevê que pesquisadores que cumpram determinados requisitos deixem de ser bolsistas e passem a integrar uma carreira de servidores públicos, com vínculo e remuneração compatíveis com sua qualificação. Também defende financiamento estável e previsível para a pesquisa, com regras plurianuais, além de fomento específico para pesquisas em sanidade animal, zoonoses e desenvolvimento de imunizantes veterinários.

Zema (Novo): propõe transferir a gestão do ensino superior do MEC para o MCTI. A medida seria acompanhada de mudanças na gestão das universidades e institutos federais, incluindo critérios técnicos para a escolha de reitores e incentivos financeiros vinculados a indicadores de gestão acadêmica, empregabilidade dos egressos e produção científica. O plano também propõe transparência nos gastos públicos com inovação e mudanças na concessão de bolsas da Capes e do CNPq, priorizando pesquisas com impacto científico mensurável ou voltadas à resolução de problemas do mercado.

A análise considera os planos de governo registrados no TSE. Embora 13 candidatos estejam registrados na disputa presidencial, Pablo Marçal (PRTB) não apresentou documentação de propostas, razão pela qual não integra a análise dos 12 planos.

Confira as candidaturas e seus respectivos planos de governo na plataforma de dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o texto completo da SBPC.


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